Feedback – Ferramenta Essencial de Gestão

“Preciso te dar um feedback!”

Que sensação temos quando alguém nos fala: “preciso te dar um feedback”?

Quase sempre é uma sensação de preocupação, do tipo: lá vem problema!

É uma pena, porque o feedback é a mais eficaz ferramenta de gestão.

Mais do que isso o feedback é uma ação de Treinamento e Desenvolvimento de equipes e subordinados, que agrega alto valor pela sua característica de educação continuada.

E…, é uma responsabilidade Gerencial!

O feedback é uma ação de Comunicação e, portanto, responde por 80% da atividade dos líderes em qualquer nível (todo líder exerce sua função baseado na comunicação).

A falta de feedback causa transtornos de toda ordem pois interfere decisivamente na motivação, no relacionamento, no monitoramento do auto desenvolvimento, no alinhamento de objetivos,  e nos resultados do negócio.

Por exemplo:

– Lhe é solicitado um trabalho urgente. Você deixa tudo que está fazendo dá prioridade a esse trabalho e entrega no prazo solicitado. Passa-se vários dias e Você não tem notícias do seu trabalho. Atendeu, foi útil, não serviu, enfim, qual foi minha contribuição?

Afinal, qual é nossa ansiedade após a prova?

O feedback, isto é, a nota!

Vejam então, de maneira bem simples, a importância que tem o feedback na nossa vida, em todos os setores.

E o pior é que não ficamos sem resposta. Se não a temos, criamos uma. E geralmente contaminada por circunstâncias desfavoráveis. Em suma, uma resposta inadequada que interfere na nossa motivação e na nossa auto-estima.

Mas reconhecemos que a prática do feedback é complexa e exige alguns esclarecimentos, a iniciar pela compreensão de seu objetivo.

Definir feedback é outra dificuldade. A tradução literal do idioma inglês (retro-alimentação) é insuficiente para melhor compreensão (interessante notar que o corretor gramatical do Word revela para a palavra feedback as palavras: opinião e realimentação).

Prefiro definir feedback com um exemplo de como foi utilizado pela Nasa. Antigamente os foguetes lançados pela Nasa eram teleguiados e não tripulados. Nessa situação os foguetes, já em sua trajetória para o alvo (a Lua, por exemplo), emitiam um sinal para a Nasa indicando seu posicionamento e sua direção. A Nasa interpretava esse sinal e, em FEED BACK, devolvia o sinal REDIRECIONANDO o foguete para atingir o alvo (evitando errar-se o alvo).

Esta situação aplica-se exemplarmente para a questão da comunicação e da sua compreensão: “pede-se um sinal de quem recebeu a mensagem reorientando-o para não errar o alvo!”.

Feedback então, é uma ação de REORIENTAÇÃO para não se errar o alvo!

Nessa medida a primeira constatação é de que não existe feedback negativo! Isto é, podem ocorrer relações de feed back mais difíceis, onde tratamos de questões mais delicadas, mas o objetivo é sempre positivo, ou seja, o objetivo de redirecionamento, de educação. Afinal são sempre as pessoas que mais se interessam por nós que nos informam de desvios nas nossas ações (não são os melhores amigos que nos dão “toques” sobre questões desagradáveis, correndo inclusive o risco de não gostarmos?). Pois é!

Mas é fundamental entendermos o feedback como um processo dinâmico, contínuo e progressivo.

Podemos entender as informações da avaliação de desempenho como um “flash back”, ou seja, uma visão de fatos passados.

O feed back, portanto, utiliza esses fatos, mas não podemos mudar o passado, podemos mudar o futuro. Então o feedback objetiva o futuro e por isso é uma visão de futuro.

A reorientação tem esse objetivo, mudar o futuro. É um plano de desenvolvimento!

Praticar o feedback é pensar o futuro e pensar o futuro é remeter nossas observações para as potencialidades (atuais ou potenciais) e procurar incrementa-las. Reduz o “você é assim” e reforça o “você pode e deve ser assim”. É, portanto, uma ação de desenvolvimento.

Evidente que essa prática não é simples, razão pela qual é tão pouco desenvolvida. Mas perfeitamente aprendida e aperfeiçoada. É uma ação de comunicação e, como tal, deve ser entendida como uma “rua de duas mãos”. Comunicar é falar e OUVIR! E ouvir é uma arte. Arte que faz uma diferença fundamental nos resultados. Quem sabe ouvir leva enorme vantagem. E a prática de ouvir também pode ser desenvolvida. Lógico que sempre dizemos que “só se aprende fazendo” por isso entender o conceito e suas práticas é importante, mas é necessário praticar.

Em suma, Você quer ser um líder melhor? Quer desenvolver seus subordinados e equipe? Quer alcançar melhores resultados?

Então invista no desenvolvimento da sua habilidade em realizar o Feedback. Faça disso uma rotina de trabalho. Melhore a comunicação.

Lembre-se do que dissemos antes, neste texto. Você pode não ser o melhor na primeira vez que fizer, mas se continuar fazendo vai desenvolver-se tanto que poderá se tornar um especialista no assunto. E terá melhores resultados!

 

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Bernardo Leite

Bernardo Leite


Psicólogo com especialização em Administração de Empresas, atua desde 1980 nas áreas de Consultoria em Gestão, Desenvolvimento Organizacional, Liderança Planejamento Estratégico de Gestão e Negócios e ações de Coaching Personalizado a Executivos. Colaborou com a Revista Exame, Pequenas Empresas Grandes Negócios entre outras. No campo acadêmico, possui uma larga experiência, que inclui diversas universidades e em nível de pós-graduação. Atualmente ministra cursos e palestras no Instituto Mauá de Tecnologia - Centro de Educação Continuada de Engenharia e Administração – CECEA e é professor convidado da FGV-SP - GVPEC. Autor dos livros “Ciclo de Vida das Empresas”, que enfoca o comportamento organizacional sob o prisma do empreendedor e do livro "Dicas de Feedback".Foi presidente da Associação Paulista de Gestores de Pessoas (AAPSA – 2003 – 2005). Apresentou, por quatro anos o Programa de TV – Profissional e Negócios, entrevistando empresários e profissionais de Recursos Humanos.